Tudo o que a Marliene
quis em sua vida foi não deixar cair os seus peitinhos.
Tudo podia desabar, o mundo poderia ruir, menos cair os peitinhos de Marliene. Gostava de exibi-los, pontudos, querendo fazer parecer ainda mais apetitosos naquele decote ameaçador, e isso de alguma maneira a fazia sentir um certo sabor de vitória, talvez por não ter deixado nunca cair os seus peitinhos.
Desde menina, talvez na inconsciência, guardou gravada em sua memória a imagem da mocinha que aparecia numa campanha duma marca de sutiã que passava na tevê que, parece, também dizia para não deixar cair os peitinhos.
Quando conheceu os primeiros meninos mais atirados, ainda colegas da escola, que se afoitaram a toc�-la mais intimamente, n�o deixou que eles a bolinassem demais para n�o deixar cair os seus peitinhos. Nada de amass�-los com apertos sem freio. Isso nunca. Para nunca deixar cair os seus peitinhos.
E se alguma vez, por for�a circunstancial ou outra qualquer que a impeliu a alguma aventura er�tica mais ousada topou com um carinha mais atrevido, j� mais amadurecida repeliu-o, procurando n�o lhe deixar a m�nima chance de fazer depois nenhum deboche com essa coisa dela n�o deixar cair os peitinhos.
Depois, em vista do decorrer dos anos, que j� lhe exigiam uma defini��o acerca da maternidade, de tanto hesitar acabou deixando escapar o per�odo adequado para ser m�e, amedrontada com a possibilidade de na amamenta��o deixar cair os seus peitinhos.
O tempo... o tempo vai levando as coisas para onde elas t�m de ir, por for�a da natureza. Traduzimos (ou tentamos) o fen�meno em teoremas mais ou menos complexos, mas todos procurando refletir e com o m�ximo acerto suas f�rmulas explicativas. A lei da gravidade � um destes, segundo a qual tudo o que sobe desce, mas Marliene resolveu desafi�-la dedicando quase toda a sua vida a n�o deixar cair os seus peitinhos.
Foi o tempo em que as celebridades andavam alardeando suas mamas avantajadas, decantando-as despudoradamente na programa��o aberta em rede nacional, e Marliene, enquanto tricotava no sof� da sala � noite ap�s voltar do trabalho, ainda se orgulhava de � apesar de n�o os ter na mesma baita propor��o � n�o ter deixado cair os seus peitinhos.
Mantida na solid�o pelo capricho t�o zeloso, sempre que se masturbava, enquanto se embalava com sua m�o direita no manejo c�lere, tomava o cuidado necess�rio para n�o se empolgar tanto nos procedimentos com os seios, apenas circulando com seus dedos esquerdos babados de cuspe os mamilos, para n�o fazer cair os seus peitinhos.
Da�, que... foi assim:
numa consulta de rotina, quando a mastologista lhe empurrou alarmada para fazer as chapas de raio X... Xiii... !! Tungados naquela placa friosa, ali achatados, revelariam dois n�dulos cancerados, em vias de expelir pelos bicos aquela seiva maligna que jorra dos tumores avan�ados em sua comedeira. Mesmo traumatizada Marliene autorizou a cirurgia inadi�vel, e logo em seguida contatou um representante de laborat�rio especializado em est�tica m�dica, a quem encomendou as pr�teses que lhe custaram quase todas as economias estocadas em muitas centenas de dias sentada como secret�ria no escrit�rio do gerente A. D�o, e s� aceitou deixar a cl�nica quando finalmente j� estava restabelecida em sua compostura ereta e orgulhosa. Agora, n�o havia jeito mesmo de deixar cair os seus peitinhos.
Mesmo que quisesse.